Ministério do Esporte Com auxílio da Lei de Incentivo, judô e atletismo da Sogipa promovem mudança no eixo nacional de investimentos
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Com auxílio da Lei de Incentivo, judô e atletismo da Sogipa promovem mudança no eixo nacional de investimentos

A judoca Érika Miranda encerrou o ano de 2016 desacreditada. A brasiliense, então com 29 anos, chegou aos Jogos Olímpicos do Rio como favorita na categoria até 52kg por ter alcançado o pódio em todos os campeonatos mundiais do ciclo. Não demorou para que a esperança virasse frustação. Érika caiu nas quartas de final, ganhou fôlego na repescagem, mas perdeu o bronze no golden score para a tricampeã mundial Misato Nakamura, do Japão. O sonho da medalha olímpica teve que ser adiado por mais quatro anos. Entretanto, a incerteza do futuro deixou a judoca sem direção.

Depois de defender diferentes clubes pelo país, Érika Miranda percebeu que era o momento de uma nova mudança. Preferiu recomeçar. A judoca foi na direção oposta de muitos atletas de alto rendimento que saem das suas cidades para buscar evolução nos principais centros do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Érika preferiu trocar a capital fluminense pelo Sul do país para fazer parte de uma das principais equipes da modalidade: o clube gaúcho Sogipa (Sociedade de Ginástica Porto Alegre).

A judoca mora e treina em Porto Alegre desde o início de 2017. A mudança para o Sul do país surtiu efeito. Os resultados da última temporada mostraram que as mudanças fizeram bem para Érika Miranda. Aos 30 anos, ela conquistou um bronze no Campeonato Mundial de Budapeste, na Hungria, e terminou o ano no primeiro lugar no ranking internacional.

“Eu estava muito perdida no final de 2016. Bateu aquela dúvida de qual rumo tomar na vida. Conversei com a minha família para decidir qual destino tomar, e foi quando surgiu a possibilidade de vir para a Sogipa. Nunca tinha treinado aqui, mas tinha boas amizades, companheiros de seleção e de vida. Quando cheguei, tinha me esquecido como era treinar com pessoas com o mesmo objetivo”, revelou Érika, que conquistou medalha nos últimos quatro Mundiais de judô (prata em 2013, bronze em 2014, 2015, e 2017), sendo a única atleta da categoria a conseguir o feito.

“Estou feliz e com as energias totalmente recarregadas. O diferencial é que todo mundo se ajuda na Sogipa, além de ter um treino muito forte e intenso. Todo treino é uma competição, ninguém quer perder. Eu morava no Rio e eu era a minha própria equipe, praticamente. A mudança foi muito boa e refletiu nos tatames, além de reacender a chama da motivação que estava se apagando dentro de mim”, acrescentou a atleta beneficiária do programa Bolsa Pódio, do Ministério do Esporte.

A ida da judoca para o clube gaúcho foi viabilizada graças ao Projeto Olímpico da agremiação. Atualmente, a Sogipa conta com equipes de alto rendimento em dois esportes: judô e atletismo. São cerca de 50 atletas que são atendidos. Os recursos, captados por meio de projeto aprovado pela Lei de Incentivo ao Esporte, garantem aos atletas uma dedicação integral para buscar resultados nacionais e internacionais.

Segundo o gerente de Esportes da Sogipa, Alberto Molnar, o ponto de virada no esporte de alto rendimento dentro do clube veio com os projetos desenvolvidos por meio de recursos captados pelo mecanismo legal. Atualmente, o Projeto Olímpico é a prioridade da agremiação gaúcha.

“A Lei de Incentivo ao Esporte evita com que os nossos atletas vão embora. Como a gente não tem uma cultura empresarial aqui, é muito difícil manter os atletas no Rio Grande do Sul. Era normal vê-los irem para Rio, São Paulo ou Minas, onde está o grande volume de recursos e que tem a cultura competitiva. Hoje, a gente está conseguindo manter os atletas, além de trazer grandes nomes do esporte, garantindo medalhas em mundiais e em campeonatos internacionais”, explicou Alberto Molnar.

Com a Érika Miranda, a equipe de judô da Sogipa conta com 12 atletas que fazem parte da seleção nacional 2018, incluindo a bicampeã mundial Mayra Aguiar, o medalhista olímpico Felipe Kitadai e Maria Portela. Na última temporada, a equipe conquistou 41 medalhas em competições internacionais.

Suporte legal

Nos últimos três anos, a estrutura da equipe é garantida por meio de recursos captados com base na lei federal. “O primeiro campeão mundial de judô brasileiro foi João Derly, que treinava na Sogipa. Assim, conseguimos juntar apoiadores e parceiros até chegar ao patamar de profissionalismo atual. Antes, o bom atleta de Porto Alegre tinha que sair da cidade para treinar em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais. Hoje, não. Grandes nomes desses três estados - e de outros - vêm para a Sogipa treinar. Conseguimos fazer essa mudança drástica de rota”, explicou Antônio Carlos de Oliveira Pereira, coordenador técnico do time de judô da Sogipa, que lembra que o Brasil tem sete atletas campeões mundiais, dos quais cinco são da Sogipa.

O gerente de esportes do clube explica que o desejo da entidade é de ampliar o número de modalidades de alto rendimento atendidas. “Gostaríamos de ter outras modalidades de nível internacional, mas não conseguimos pela dificuldade em captar recursos. As empresas gaúchas ainda são resistentes em patrocinar por meio da Lei de Incentivo. Algumas não conhecem realmente o mecanismo, mas outras pensam que a lei é fiscalizatória, achando que o governo vai entrar dentro da empresa”, disse.

Transformando vidas no Atletismo

O atletismo é outra modalidade na qual o clube apoia atletas de alto rendimento. Uma das grandes revelações da Sogipa vem do salto triplo. Almir Júnior, 24 anos, foi o sexto brasileiro a obter o índice exigido pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) para representar o país no Campeonato Mundial Indoor de Birmingham, no Reino Unido. A competição será disputada entre os dias 1º e 4 de março.

Natural de Matupá, Mato Grosso, Almir treina há sete anos em Porto Alegre e vem se destacando no cenário nacional. Fechou a temporada 2017 na liderança do ranking nacional ao alcançar 16,92m, no dia 18 de dezembro, em competição na capital gaúcha.

No início de janeiro, Almir saltou 17,06m e venceu a prova do Meeting Internacional Doug Raymond Invitation, em Ohio, nos Estados Unidos. Segundo o treinador de atletismo, José Haroldo Loureiro Gomes (Arataca), com a marca, o atleta assumiu a liderança do ranking Mundial Indoor da temporada da IAAF.

Outra revelação é Samory Uiki Bandeira Fraga, de 21 anos. O jovem começou a treinar no clube aos 8 anos por meio do Projeto Olímpico. Então morador da Vila Cefer, no Jardim Carvalho, ele praticava esportes diariamente na Sogipa por ser vinculado à iniciativa, recebia vale-transporte e doações de tênis, que auxiliaram no desenvolvimento no esporte. A jóia evoluiu e conseguiu a quinta melhor marca brasileira no salto em distância na categoria sub-23. Como consequência, ganhou oportunidade pessoal e profissional dentro do clube, e atualmente cursa o terceiro ano de Relações Internacionais na Universidade de Kent, em Ohio, nos Estados Unidos.

Samory chegou na universidade norte-americana depois de vários bons resultados em campeonatos importantes, que despertou a atenção das instituições. Antes de optar pela Universidade de Kent, ele precisou escolher entre oito convites recebidos para estudar nos Estados Unidos.

O mato-grossense Pedro Luiz Burmann de Oliveira treina desde 2010 na Sogipa. Ele representou o clube no revezamento 4x400m nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Descoberto na escola pelo técnico Arataca, passou por testes e começou a treinar na agremiação gaúcha.

“Para mim, o clube é a melhor estrutura de atletismo do Brasil, porque tenho tudo próximo. Aqui temos um lugar adequado para sentar, temos sombra dentro da pista, água em cada canto da pista e as piscinas próximas”, disse o atleta, que pretende disputar o Mundial Indoor em março.

O treinador de atletismo, Arataca, explica que atualmente o clube conta com um projeto que trabalha da formação até os Jogos Olímpicos. “Com a Lei de Incentivo temos a possiblidade de dar continuidade para que um atleta jovem, depois de desenvolvido, possa chegar ao alto rendimento. Esse é o grande diferencial, depois que passamos a utilizar a lei. Éramos um celeiro de atletas, mas eles acabavam indo embora de Porto Alegre pelo motivo financeiro”, disse.

Para conseguir segurar os atletas, Arataca revela que tem que competir com assédio de outros grandes clubes, além das universidades norte-americanas. “Temos cinco atletas nos Estados Unidos estudando em universidades. Eles têm a possibilidade de criar uma grande oportunidade de vida. Aqui, todos os atletas de atletismo estudam e sabem falar ao menos uma língua estrangeira”, revela.

Fidelização dos Parceiros

Com o Projeto Olímpico, a Sogipa enxergou a necessidade de profissionalizar o departamento de marketing esportivo. Com a estruturação, eles conseguiram fidelizar os patrocinadores, além de abrir caminho para novos parceiros comerciais.

“No nosso Projeto Olímpico, nós conseguimos fazer o processo de fidelização. Já temos três ou quatro empresas nos apoiando. Neste ano, conseguimos abrir para mais empresas. Com a fidelização, elas passam a nos conhecer e confiar na nossa credibilidade, pois sabem que fazemos um bom uso dos recursos públicos aportados”, explicou.

A experiência mostrou que o pós-venda do projeto esportivo é o segredo para fidelizar os parceiros. O clube busca manter os patrocinadores atualizados, tanto em prestação de contas quanto em resultados dos atletas. Além disso, abre as portas da agremiação para as contrapartidas, como a utilização dos salões, piscinas e espaços comuns da Sogipa. O marketing conta com três profissionais especializados na área de projetos, elaboração, controle, prestação de contas e execução.

De Porto Alegre, Breno Barros – rededoesporte.gov.br
  

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