Ministério do Esporte Pernas de Petrúcio Ferreira "saem do controle" e velocista bate recorde mundial nos 100m T47
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Pernas de Petrúcio Ferreira "saem do controle" e velocista bate recorde mundial nos 100m T47

As pernas do velocista Petrúcio Ferreira estavam “alegres”, como ele mesmo descreveu, e ganharam vida própria durante a primeira bateria da prova classificatória dos 100m rasos da classe T47. Ao entrar no Estádio Olímpico, neste sábado (10.09), e sentir o apoio da torcida que encheu a arquibancada inferior do Engenhão, o atleta brasileiro disse ter perdido o controle sobre o corpo: correu mais que todo mundo e bateu o recorde mundial que já durava 24 anos.
 
Petrúcio Ferreira (Foto: Alaor Filho/CPB)Petrúcio Ferreira (Foto: Alaor Filho/CPB)
 
O nigeriano Adeoye Ajibola completou a prova na Paralimpíada de Barcelona (1992) em 10s72. Agora, a nova marca é de 10s67. “Vim correr essa semifinal para fazer um bom tempo e me classificar. Quando eu entrei no estádio, lotado, com a empolgação do público, eu diria que isso me deu alegria nas pernas. Elas correram de uma forma que eu não controlava mais”, descreve Petrúcio.
 
Em sua estreia paralímpica, o brasileiro que tem apenas 19 anos, vai repetindo o feito do ídolo, o jamaicano Usain Bolt, detentor de nove ouros olímpicos, divididos entre 100m, 200m e 4 x 100m, sendo a última tríade dourada conquistada nos Jogos Rio 2016. O homem mais rápido do planeta chegou para disputar as Olimpíadas de Pequim 2008 com 21 anos. Em 16 de agosto, no Ninho do Pássaro, Bolt correu os 100m em 9s69, ganhou a prova e estabeleceu um novo recorde mundial. Petrúcio, que vai correr a final neste domingo (11.09) a partir das 10h45, ao lado do compatriota e amigo Yohansson Nascimento, espera melhorar a performance, de preferência com um público que lhe dê ainda mais “alegrias” nas pernas.
 
 “Eu venho amanhã preparado para dar o melhor. Se tiver mais gente, espero que meu resultado melhore, mas minha meta mesmo é conquistar a medalha de ouro”, projeta o corredor, que tinha alcançado 10s85 neste ano. “Eu vinha fazendo bons treinos, principalmente nesta reta final, quando foi retirado o treino intensivo. Eram mais tiros curtos e velozes, de 40, no máximo 50 metros. Isso me empolgou e cheguei confiante”.
 
Dobradinha
 
A expectativa por um pódio liderado por brasileiros cresceu ao término da segunda bateria classificatória dos 100m. Yohansson Nascimento, 28 anos, chegou para a sua terceira Paralimpíada batendo o recorde dos Jogos na classe T46, com o tempo de 10s75, e se classificou em segundo, atrás apenas de Petrúcio. Apesar de a prova reunir diferentes classes, os recordes são considerados de forma separada para cada categoria.
 
Petrúcio comemora. (Foto: Alaor Filho/CPB)Petrúcio comemora. (Foto: Alaor Filho/CPB)
 
“Cheguei com a cabeça tranquila para me classificar. Sabia que tinha um adversário muito forte que é o polonês (Michal Derus, que correu em 10s79 e se classificou em terceiro para a final). Nunca tinha ganho dele, mas já descontei aqui em casa e quero repetir amanhã. Quando eu estava ao lado dele e a torcida estava gritando, eu pensei: ‘Eu não vou aliviar não’. Eu vou fazer bonito”, comenta o atleta, que correu para alcançar a melhor marca na carreira e conseguiu.
 
“Poderia ter polônes, chinês... se tivesse o Bolt na minha prova, para mim pouco importa, eu queria correr para melhorar meu tempo e espero melhorar mais amanhã”, afirma. Yohansson mostra confiança em uma dobradinha brasileira na final. “Está tudo contribuindo para isso”, declara o alagoano. Petrúcio vai pelo mesmo caminho: “Tomara! Não importa se ele em primeiro e eu em segundo ou se eu em primeiro e ele em segundo. O que importa é que a gente está representando nosso país”.
 
Ao mesmo tempo Yohansson afasta entrar em um clima de “já ganhou” e aponta um aspecto que ele deve estar mais atento na prova que vale o ouro. “É uma prova de quem erra menos. Hoje eu tentei me concentrar na técnica, acho que não fiz uma boa largada”.
 
Yohansson Nascimento.(Foto:GettyImagens)Yohansson Nascimento.(Foto:GettyImagens)
 
A semelhança entre os dois corredores brasileiros começa na origem nordestina, passa pelas formas como foram descobertos para o esporte e culmina na união entre eles. Medalhista de prata no revezamento 4 x 100m e bronze nos 100m em Pequim 2008, a responsabilidade de Yohansson cresceu após a prata nos 400m e o ouro nos 200m em Londres 2012. Ele considera o companheiro Petrúcio um pupilo e quer deixar como legado a contribuição para os novos talentos do esporte no país, que inclui ainda os amigos Verônica Hipólito e Mateus Evangelista.
 
Mas foi por um olhar especial de uma treinadora que o Brasil pôde contar com um de seus expoentes na modalidade. “Eu estava indo ao dentista e a minha ex-treinadora, a Valquíria, estava indo dar um treino para uma equipe de Alagoas de paradesportistas. Ela me viu no ônibus, tranquilo, nunca fui de esconder a minha deficiência: ‘Esse menino magrinho deve ter jeito para corrida’. Aí ela me convidou e deu no que deu”.
 
Apaixonado por futebol, Petrúcio foi descoberto por um professor de educação física, que o viu atuar em um campeonato que envolvia pessoas sem deficiência, no interior da Paraíba. “Na época ele perguntou se eu não tinha vontade de participar de uma prova que envolvesse velocidade. Daí que surgiu a oportunidade do esporte paralímpico”, lembra o agora velocista, que segundo ele jogava futebol de teimoso. “Não jogava nada, só entrava em campo para fazer raiva”.
 
Após o convite, ele teve que se mudar para a capital João Pessoa. Sem condições de se manter, a empreitada só foi possível graças à sua “avó-mãe”, que o acolheu, deu casa e comida. “Diria que eu fui adotado por uma ex-prefeita da minha cidade, que soube da minha história. Foi uma das mulheres que mais me apoiou no início. Daí ela ligou para a minha mãe e disse que me daria um lar e um local para eu me alimentar, que seria a casa dela. Eu diria que ela é uma avó-mãe”, afirma Petrúcio, que ainda vive na mesma casa.
 
Natural de São José do Brejo do Cruz, ele perdeu uma das mãos aos dois anos de idade, ao tentar imitar o pai agricultor. “Ele sempre trabalhou na roça e estava moendo capim para dar para os animais. Eu estava junto e teve um momento de descuido e eu, na inocência de uma criança, fui tentar imitá-lo, mas da maneira errada. Ao invés de cortar o capim, eu cortei a minha mão”.
 
Yohansson, por sua vez, nasceu sem as duas mãos, o que se tornou um troféu. “Como eu disse no Mundial (Doha 2015, no qual ele conquistou um ouro nos 200m e uma prata nos 100m), eu nasci premiado. Foi para estar representando o Brasil, para mostrar que independente de dificuldade, deficiência, se você tem um sonho, você pode realizá-lo”. 
 
Gabriel Fialho - Brasil2016.gov.br
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