Ministério do Esporte Seis edições, seis medalhas: Tenório vai atrás do pódio final em Paralimpíadas
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Seis edições, seis medalhas: Tenório vai atrás do pódio final em Paralimpíadas

O judoca Antônio Tenório (-100kg) chega ao Rio 2016 com 45 anos e cinco medalhas paralímpicas (quatro ouros e um bronze) no histórico, mas garante que a empolgação é parecida com a que tinha aos 25, quando conquistou o primeiro pódio em Atlanta, 1996. No próximo 10 de setembro, na Arena Carioca 3, ele quer acrescentar mais uma medalha à sua coleção.
“Minha expectativa é a mesma, a ansiedade é a mesma, estou chegando para lutar por um lugar no pódio, respeitando todos os adversários. Quero representar bem o meu país”, disse.
 
Tenório em dois momentos: em ação em Pequim 2008 e com a medalha de bronze de Londres 2012. (Fotos: Flickr CPB)Tenório em dois momentos: em ação em Pequim 2008 e com a medalha de bronze de Londres 2012. (Fotos: Flickr CPB)
 
A diferença está no fato de competir em casa, algo que Tenório encara com tranquilidade e cautela, para não se empolgar demais com a torcida. O judoca também está mais maduro, com a segurança de ter feito uma boa preparação.
“Eu sempre fui atleta, desde os sete anos. Com nove, comecei a competir, então para mim foi só manter o nível de treinamento. E eu tenho um grupo de trabalho muito bom que me manteve até hoje nesse nível. Tenho nutricionista, preparador físico, clínico geral que cuidam da minha saúde”, explicou Tenório, que perdeu a visão do olho esquerdo aos 13 devido ao descolamento de retina. Seis anos mais tarde, uma infecção no olho direito deixou-o totalmente cego.
 
Willians com uma das várias medalhas conquistadas ao longo do último ciclo: agora é a vez de tentar o ouro paralímpico. (Foto: Guto Marcondes/CPB)Willians com uma das várias medalhas conquistadas ao longo do último ciclo: agora é a vez de tentar o ouro paralímpico. (Foto: Guto Marcondes/CPB)
 
Sucessores
 
Tenório vai se despedir nos Jogos Paralímpicos no Rio, mas planeja disputar mais um Mundial. Na seleção brasileira, ele vê diversos nomes que podem consolidar carreiras  de sucesso.  “O Willians (Araújo) é um que tem chance de medalha (no Rio 2016). Tem também o Arthur (Cavalcante), o Abner (Oliveira) e temos uma menina fortíssima no feminino que é a Alana (Maldonado), vocês vão gostar dela”, apostou.
 
Carioca de 24 anos, Willians (+100kg) sentiu-se honrado por ter o nome citado pelo ídolo. Mais um estímulo para quem saiu de Londres 2012 desanimado e contou com a família para se reerguer. “Tive um empurrãozinho do meu irmão Wellington. Em 2012, voltei lesionado (rompimento da clavícula) e ele me abraçou, chorou e disse: ‘Você é meu herói, você representa 200 milhões de pessoas, você é meu ídolo’. Não tem como não emocionar, naquele momento foi um empurrão enorme”, contou.
 
Willians chega com outro espírito ao Rio 2016. “O Willians de Londres evoluiu, está em 1º lugar do ranking, medalhas em todas as competições deste ciclo, e isso mostra amadurecimento não só fisicamente, como psicologicamente e tecnicamente, então isso é muito legal. Minha meta é estar no pódio, não vai faltar raça e vontade. Quero lutar bem. Eu vim para fazer história”, disse o judoca, que perdeu a visão aos 10 anos em acidente com tiro de espingarda e pratica o esporte desde 2009.
 
Se a delegação brasileira fica mais confiante por estar em casa, Willians se sente mais em casa ainda. Criado no Complexo do Alemão, ele quer ser exemplo para todo o país, mas em especial para a comunidade onde passou a maior parte da vida.
“Em toda comunidade tem dois caminhos, o do bem e o do mal, e graças a Deus tive a oportunidade de seguir o caminho do bem e hoje estar representando o país, a cidade, o bairro de Olaria, o Alemão nos Jogos do Rio. Para mim é um momento importante, eu fico feliz em ser um exemplo para essas pessoas que cresceram e estão crescendo no Complexo do Alemão.
Acho que realmente é possível mudar o nosso futuro, basta querer e as oportunidades aparecerem”, afirmou.
 
Falando em oportunidade, Willians não quer perder a chance de ter um resultado histórico no mesmo dia de Tenório. Ambos vão lutar em 10 de setembro e o carioca quer levar para casa não só a medalha. “É um cara que eu admiro bastante, é um grande ícone do judô paralímpico, uma referência para todos nós brasileiros e até internacionalmente. Vai ser no mesmo dia, vai ser marcante. Seria legal ter essa foto: eu com a medalha e ele com a dele para mostrar os meus filhos e netos”, disse.
 
Carol Delmazo, brasil2016.gov.br
Ascom - Ministério do Esporte
 
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