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O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, concedeu entrevista ao jornal A Bola, de Portugal, sobre a organização da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.


Confira a entrevista:

“Decidiu-se que Dilma não falaria para evitar constrangimentos”, Aldo Rebelo

Vítor Serpa

O ministro do Desporto do Brasil, Aldo Rebelo, concedeu uma grande entrevista ao director de A BOLA, Vítor Serpa. Uma entrevista há muito conversada e que mostra o reconhecimento do Governo brasileiro pela dimensão de A BOLA no mundo da lusofonia. Não se esquivando a questões tão sensíveis quanto o silêncio da Presidente do Brasil na abertura do Mundial, as manifestações que abalam a organização ou a importância que a «canarinha» de Scolari pode ter no sucesso da competição, Aldo Rebelo falou sobre tudo.



Numa altura em que estamos sensivelmente a meio do Campeonato do Mundo qual é a avaliação que faz da forma como a competição está a decorrer?

O Mundial é um evento previsível, já se sabe como deve ser organizado. Este é o 20.º Campeonato do Mundo e sabemos que precisamos de estádios reconstruídos, reformados ou novos, que precisamos dos aeroportos a funcionar, de um sistema de segurança para proteger delegações, turistas e a própria população, de mobilidade urbana para facilitar o trânsito, tudo isso tem de funcionar bem. E nós preparámos isso, o resto é por conta das equipas, das seleções, e estamos a ver uma bela copa, dentro e fora dos estádios.

Sente que a primeira vitória do Brasil ajudou a acalmar os ânimos, que estavam muito exaltados antes do início da competição?

Penso que os ânimos foram acalmados muito mais pelo que se fez fora de campo. As pessoas temiam que o país não suportasse o impacto da presença de 800 mil turistas estrangeiros, de três milhões de turistas nacionais, que os nossos aeroportos não aguentassem o impacto desse movimento, que o nosso sistema de segurança pudesse falhar, que o trânsito nas grandes cidades pudesse ser problemático. Quando as pessoas viram que essas coisas estavam a funcionar tão bem como habitualmente, dentro das limitações de um país como o Brasil, dentro das deficiências que nós temos, ficaram, naturalmente, mais calmas e dentro de campo as coisas puderam acontecer com maior tranquilidade.

Em algum momento teve receio de que as manifestações pudessem estragar esta organização do Brasil?

Não, não tive receio, porque tinha consciência da força de um Mundial, um evento que pela importância e repercussão que tem no Brasil e no Mundo seria capaz de atrair a atenção e energia das pessoas. Tinha a plena consciência de que o Mundial tinha a capacidade de atrair a paixão das pessoas que gostam de futebol e que apreciam um espetáculo dessa dimensão.

Sendo o Brasil um país de futebol, sente que o facto de o Mundial poder correr bem estará intimamente ligado ao percurso da seleção canarinha?

Não creio. Eu creio, sim, que as pessoas esperam um bom desempenho da seleção brasileira, pois somos a única seleção que participou em todas as copas, a vencer cinco vezes o Mundial, a estar presente no pódio ou entre as quatro melhores equipas em quase todos os torneios. Mas as pessoas sabem também que não somos invencíveis, que já perdemos inclusivamente um Mundial aqui no Brasil. As pessoas esperam é que seleção jogue bem, em 1982, em Espanha, perdemos o Mundial mas fomos considerados a melhor seleção da prova. As pessoas esperam que jogue bem e que o país tenha um bom desempenho fora de campo, que os turistas e convidados se sintam acolhidos, bem recebidos, e tratados com carinho, que é uma das características da nossa população.

Confia na vitória do Brasil?
 

Confio, por duas razões: em primeiro lugar porque é a seleção com maior tradição em Mundiais, o jogo de mundial não pesa sobre os ombros dos jogadores brasileiros, eles são habituados a jogar esse torneio, é um país habituado a ser bem sucedido; depois, o Brasil tem uma boa seleção, tem um jogador extraordinário, Neymar, e joga em casa, com o apoio da sua torcida, que motiva bastante os jogadores. É por essas razões que estou bastante otimista quanto à possibilidade de o Brasil vencer o sexto Mundial.

Tem gostado do futebol da equipa brasileira?

Tenho. O futebol do Brasil tem sempre como marca o improviso e a criatividade, não tem a disciplina tática tão rígida como a dos europeus, principalmente as seleções anglo-saxónicas. O nosso futebol é mais de criatividade e excelência técnica, de capacidade dos nossos jogadores. Felipão [Luiz Felipe Scolari, n.d.r.] conhece bem esse futebol e nós temos condições de enfrentar qualquer uma das principais seleções da América do Sul e da Europa.

Este Campeonato do Mundo oferece estádios novos ao país, mas muitos brasileiros esperam que traga também benefícios à vida das pessoas. Qual será, no seu entender, o legado deste Mundial-2014?
 

Acho que já o deixou o seu legado. Antes mesmo de ser uma realidade, o Mundial já tinha gerado expectativa de crescimento da Economia. Segundo uma das mais respeitadas consultorias do Brasil, a Fundação Getúlio Vargas, em conjunto com a norte-americana Ernst&Young, o Mundial pode gerar até três milhões e 600 mil empregos no Brasil, quase um Uruguai de empregos [números próximos da população daquele país sul-americano, n.d.r.]. Pode gerar um impacto de 0,4 por cento ao ano no crescimento da economia. Para cada real de investimento público, o Mundial pode gerar 3,4 reais de investimentos privados. Além disso, temos estádios não apenas destinados ao Mundial, mas estádios como o do Palmeiras, em São Paulo, que está a ser construído para o clube. Ou o do Grémio, em Porto Alegre. Estádios grandes, modernos, que naturalmente deixarão para o futebol uma outra perspetiva, com participação maior na Economia do país. O Mundial gera também projeção de imagem, de importância e de presença geopolítica. O Brasil vai receber muito benefício dessa projeção. É um evento para biliões de pessoas em todo o Mundo e que o país está a organizar com competência e capacidade, procurando também superar as suas deficiências.

A Imprensa internacional reagiu com algumas críticas ao facto de a presidente Dilma Rousseff não ter feito um discurso oficial na abertura do Mundial. Tem alguma explicação para isso?

Na abertura da Taça das Confederações, houve por parte de um setor do público presente vaias à presidente da república e isso, provavelmente, iria voltar a acontecer. Então, para evitar constrangimentos, não em relação à presidente, mas sim aos convidados e autoridades, com essa demonstração de falta de civismo e de má educação por parte de um setor da bancada, o protocolo decidiu que ela não falaria. Mas nem isso evitou que houvesse por parte de um setor da classe média de São Paulo uma demonstração de desapreço em relação à maior autoridade do país e principalmente em relação aos convidados estrangeiros e às duas seleções [Brasil-Croácia, jogo de abertura do Mundial, n.d.r.], que nada tinham a ver com a luta política do país.

O ministro do Desporto foi o principal elo entre a FIFA e o governo brasileiro em todo este processo organizativo do Campeonato do Mundo, pelo que estará em condições para responder se a FIFA pediu demasiado ao Brasil. Muitos brasileiros defendem essa ideia, acha que é mesmo assim?

A FIFA pede de igual forma para todos os que pretendem receber um Mundial, o caderno de encargos é igual para todos. Há, de facto, queixas sobre aquilo que os países são obrigados a ceder para receber grandes eventos. Não apenas em Mundiais, mas também em Jogos Olímpicos e eventos dessa natureza. Nós procurámos, dentro daquilo que assumimos como responsabilidade, defender o interesse público e o interesse nacional, que era aquilo que competia ao governo, ao estado. E depois a FIFA cuida dos patrocinadores e dos direitos privados dos entes envolvidos no Mundial.

Se o Mundial tivesse terminado como gostaria de recordá-lo?

Naturalmente, comemorando a vitória do Brasil, que quero muito que aconteça. E com um profundo sentimento de gratidão por todas as pessoas que ajudaram a construir o Mundial do Brasil: os trabalhadores da construção civil que ajudaram a erguer os estádios, os engenheiros, os gestores públicos das prefeituras dos estados. Também pela união do governo federal. Mas, principalmente, o meu agradecimento à presidente da república, por me ter confiado a tarefa de coordenar esse esforço de construir o Mundial do Brasil.

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