Ministério do Esporte Enriquecimento cultural e medalhas na bagagem: o balanço da participação do Brasil nos Jogos da CPLP
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Enriquecimento cultural e medalhas na bagagem: o balanço da participação do Brasil nos Jogos da CPLP

Mais que medalhas, uma competição de desporto escolar rende intercâmbio cultural e amizades aos participantes. E foi este o espírito da 11ª edição dos Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizados de 21 a 28 de julho em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe. Os oito pódios alcançados pelos jovens atletas brasileiros ficarão na memória de cada um deles, além do convívio com pessoas das outras oito nações que compartilham o idioma: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e os anfitriões são-tomenses.

Equipes de basquete 3x3, atletismo, vôlei de praia e futebol: medalhas em todas as modalidades. Fotos: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.brEquipes de basquete 3x3, atletismo, vôlei de praia e futebol: medalhas em todas as modalidades. Fotos: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

A Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE) enviou uma delegação de 29 atletas sub-17, divididos em atletismo (3), basquete 3x3 (4), futebol (18) e vôlei de praia (4). O Brasil conquistou medalhas em todas as modalidades que disputou. A equipe de taekwondo não conseguiu chegar a São Tomé devido à série de cancelamentos de voos em São Paulo na semana anterior à competição. No quadro final de medalhas, Portugal ficou à frente.

Como forma de colaborar com a organização - trata-se do primeiro evento multiesportivo internacional realizado no país -, o Brasil doou para São Tomé e Príncipe kits com equipamento para montagem de quadras de vôlei de praia, com fitas para demarcar o campo, redes, antenas, bolas e placares.

Flávio Azevedo, árbitro de vôlei de praia no Rio de Janeiro, viajou a São Tomé a convite da CBDE para compartilhar sua experiência com a ainda incipiente federação local. "Ficamos com o tempo curto para fazer aulas teóricas e práticas, mas passamos todas as informações durante os dias de competições. Os são-tomenses estavam muito atentos a tudo que ensinamos. Eles trabalharam bem durante os jogos, não erraram as marcações. O que faltou, por conta da inexperiência, foi postura, especialmente aos juízes de linha", explicou Azevedo. "A viagem foi muito proveitosa para todos os lados. No fim, estabelecemos uma rede de contatos para que eu possa compartilhar informações com eles após o fim dos jogos", acrescentou o árbitro.

Como as entidades esportivas ainda engatinham em São Tomé e Príncipe - um país cuja independência de Portugal se deu em 1975 -, a missão brasileira também proferiu palestras sobre organização de eventos escolares e sobre dopagem para os responsáveis pelas delegações nacionais e técnicos de futebol. O chefe de missão do Brasil em São Tomé e presidente da Federação Cearense de Desporto Escolar Átila Bessa explicou o funcionamento do sistema CBDE e o formato de competições e seleção de atletas. "O contato com todos esses países enriquece os dois lados, pois todos participam desse intercâmbio. Pudemos falar um pouco sobre nosso modelo de trabalho e como o desporto escolar se desenvolve no Brasil", explicou Bessa.

O médico da CBDE, José Roberto Barros, falou para os delegados dos países da CPLP sobre a origem, o controle, a prevenção e as complicações do uso de drogas ilícitas no esporte. "Um atleta escolar hoje pode ser um atleta olímpico amanhã. A orientação que nós fazemos é direcionada à formação de pessoas, que futuramente estarão no esporte de alto rendimento", ressaltou Barros. 

Mesmo antes da realização do evento, a cooperação brasileira no país mostra a importância da prática de atividade física para o desenvolvimento de mais de geração de crianças e jovens. Um projeto brasileiro iniciado em 2010 para treinamento de professores de capoeira e incentivo à modalidade mudou a vida de centenas deles. Hoje, a capoeira de São Tomé e Príncipe conta com organização formal em uma federação e dezenas de academias. O número de adeptos da expressão cultural brasileira que teve seu embrião vindo da África só perde para os aficionados por futebol.

O Brasil doou equipamentos de vôlei de praia para fomentar a modalidade nas ilhas. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.brO Brasil doou equipamentos de vôlei de praia para fomentar a modalidade nas ilhas. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

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Confira como foi a participação dos brasileiros nos Jogos da CPLP

Atletismo

Com apenas três atletas, a delegação de atletismo conseguiu quatro medalhas. A paulista Vitória Jardim ficou com o ouro nas provas de 100m e 200m. Igor Clemente, do Rio Grande do Norte, levou a prata nos 200m. E a catarinense Larissa Lucio chegou em terceiro nos 800m. Além da viagem para a competição, o trio aproveitou o intercâmbio cultural e ainda teve a oportunidade de conhecer uma lenda do atletismo mundial: o angolano João Ntyamba, único atleta masculino a participar de seis edições de Jogos Olímpicos no atletismo, esteve em São Tomé e Príncipe para acompanhar de perto a nova geração de atletas de seu país. Como fez carreira no Brasil - especialmente em Belo Horizonte, onde competiu pelo Cruzeiro -, João fez questão de se aproximar da delegação e se enturmar com todos os brasileiros e contar histórias sobre seus amigos Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa, Vanderlei Cordeiro de Lima e outros ídolos do atletismo brasileiro com quem conviveu.

Ntyamba (ao centro), os jovens atletas brasileiros e a treinadora Ana Fidelis: oportunidade de conhecer uma lenda do atletismo mundial. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.brNtyamba (ao centro), os jovens atletas brasileiros e a treinadora Ana Fidelis: oportunidade de conhecer uma lenda do atletismo mundial. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Basquete 3x3

No basquete 3x3, o Brasil ficou com a medalha de prata. Na final, Brendha Leise, Maria Eduarda Maciel, Anna Julia Gonçalves e Lavínia Macedo, estudantes do 1o ano do Ensino Médio em Foz de Iguaçu (PR), perderam para Angola em uma partida muito apertada. "Devido à dificuldade de se encontrar passagens para vir até São Tomé, só pudemos chegar no dia anterior ao primeiro dia competições. Foi uma viagem muito cansativa, com escalas longas. E logo de cara, elas tiveram que fazer quatro jogos em um dia só. Elas mostraram evolução e se superaram no segundo dia", explicou Cláudio Lisboa, treinador da equipe. Na primeira fase, quando todos os países se enfrentaram, o Brasil ficou em terceiro (com derrotas para Angola e Portugal e vitórias sobre Cabo Verde e São Tomé e Príncipe). Na semifinal, as meninas enfrentaram novamente Portugal e, mais descansadas, levaram a melhor.

Além de garantirem uma medalha na primeira competição internacional que participam, o quarteto curtiu a experiência de convívio com pessoas tão diversas. "Cada país tem uma cultura diferente. Foi muito interessante conversar com tanta gente de países que não conhecemos e que falam a nossa língua, mesmo que de uma maneira diferente. Todo mundo se entendeu bem", disse Brendha Leise, 16 anos, que sonha em ser pivô de basquete profissional. "São Tomé e Príncipe tem praias lindas - e nós conhecemos a praia da Lagoa Azul e adoramos. O povo daqui está sempre disposto a ajudar todo mundo e, mesmo com uma realidade mais difícil, estão sempre sorrindo", acrescentou Brendha.

Claudio, Brenda, Maria Eduarda, Anna Júlia e Lavínia: de Foz do Iguaçu para a África. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.brClaudio, Brenda, Maria Eduarda, Anna Júlia e Lavínia: de Foz do Iguaçu para a África. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Futebol

No futebol, o Brasil conquistou a medalha de bronze ao bater os portugueses na disputa pelo terceiro lugar. Na primeira fase, os brasileiros ficaram em segundo no grupo B, com uma derrota (para Cabo Verde), um empate (com Moçambique) e uma vitória (diante do Timor-Leste). Como o regulamento não previa disputa de semifinais, os líderes dos grupos se enfrentaram pelo ouro (com Angola derrotando Cabo Verde) e os segundos colocados jogaram pelo bronze.

O lugar ao pódio só foi resolvido nos pênaltis, após um empate de 1 x 1. O goleiro Marcos Paulo defendeu uma cobrança e um atleta português chutou por cima do travessão - todos os brasileiros acertaram seus chutes.

O time é formado por atletas de até 16 anos da Associação Desportiva Confiança, de Aracaju. "Foi nossa primeira viagem internacional. Muitos do time mal tinha saído de Sergipe. Gostamos muito de conhecer um novo país e um novo continente. O melhor de tudo foi ter essas descobertas ao mesmo tempo que fazemos o que mais gostamos, que é jogar futebol", disse o zagueiro Gustavo Soares, 16 anos, capitão da equipe. "Sobre a competição, posso dizer que começamos mal, ao perdermos para Cabo Verde. Estávamos cansados da viagem, pois só chegamos no dia anterior e o jogo foi de manhã. Também ficamos um pouco nervosos. Depois, todo mundo melhorou e conseguimos jogar melhor. Hoje, contra Portugal, poderíamos ter ganhado no tempo normal", acrescentou o jovem.

O primeiro tempo da partida foi tenso, com entradas ríspidas dos dois times. "Todo mundo queria ganhar essa medalha e o jogo ficou mais pegado. Aqui fora do campo, somos amigos. O convívio com todos os países foi ótimo lá no alojamento", contou Gustavo. As delegações dos noves países ficaram alojadas no Liceu Nacional, uma das poucas escolas de ensino médio da capital do país africano. O local foi reformado com orçamento destinado para tal fim pelo governo de Portugal para a CPLP.

Brasil e Portugal decidiram o bronze no futebol. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.brBrasil e Portugal decidiram o bronze no futebol. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Vôlei de praia

Os dois ouros da modalidade estão na bagagem do Brasil - e foram conquistados sem uma derrota sequer. No feminino, as cariocas Maria Clara Carvalhaes e Letícia Holanda derrotaram a dupla portuguesa na final. No masculino, Isac Adolfo e Federico Mieszkowski, de João Pessoa, protagonizaram um momento emocionante ao vencerem os angolanos na final. Eles fizeram questão de levar à cerimônia das medalhas a camisa de Ismael Adolfo, irmão gêmeo e campeão mundial escolar ao lado de Isac, que encontra-se internado na UTI em tratamento para encefalite autoimune.

Campões mundiais escolares, os brasileiros confirmaram o favoritismo e saíram invictos dos Jogos da CPLP. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.brCampões mundiais escolares, os brasileiros confirmaram o favoritismo e saíram invictos dos Jogos da CPLP. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

 

 

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Mais sobre São Tomé e Príncipe

As ilhas de São Tomé e Príncipe foram descobertas, ainda desabitadas, por navegadores portugueses em 1470. Localizado no Golfo da Guiné, na costa oeste da África sub-saariana, é formado por duas ilhas principais (Ilha de São Tomé e Ilha do Príncipe) e ilhotas, com população de pouco mais de 200 mil habitantes. Está próximo às costas do Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e Nigéria. A linha do Equador passa em seu território: há um marco no Ilhéu das Rolas, um local de praias paradisíacas. 

Do século XV à década de 1970, foi uma colônia portuguesa. A independência ocorreu em 12 de julho de 1975. As principais atividades econômicas estão ligadas à agricultura e à pesca. Embora com um potencial turístico evidenciado por praias de águas cristalinas e temperatura agradável, o país ainda carece de infraestrutura para aumentar a quantidade de visitantes.

Fotos: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.brFotos: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

 

Abelardo Mendes Jr, de São Tomé, em São Tomé e Príncipe - rededoesporte.gov.br

 
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