Ministério do Esporte Corrida para uma vida melhor: experiência em outro país ajuda na formação de novos talentos do atletismo
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Corrida para uma vida melhor: experiência em outro país ajuda na formação de novos talentos do atletismo

Três brasileiros, quatro pódios nos Jogos da CPLP: Igor, a técnica Ana Fidelis, Vitória e Larissa em São Tomé. Foto; Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.brTrês brasileiros, quatro pódios nos Jogos da CPLP: Igor, a técnica Ana Fidelis, Vitória e Larissa em São Tomé. Foto; Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

Sol, suor, esforço e dificuldades são parte da rotina de um promissor velocista potiguar de apenas 16 anos. Não foi diferente na primeira viagem de Igor Clemente para fora do país para representar o Brasil em um evento esportivo. Sob calor e vento forte na África, o jovem não esmoreceu ao ser desclassificado no momento da largada de sua primeira prova nos Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O evento está sendo disputado na cidade de São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe, nação insular no Golfo da Guiné, na costa oeste da África. As competições tiveram início em 21 de julho e seguem até o dia 28, com disputas em cinco modalidades de desporto escolar (sub-17): atletismo, basquete 3x3, futebol, taekwondo e vôlei de praia. Os três estudantes brasileiros que estiveram na competição obtiveram quatro medalhas.

Na bateria classificatória dos 100m, estreia do atleta em pistas fora do Brasil, uma inusitada situação o deixou sem ação. "Nas competições que já disputei antes, o juiz que dá início fala: 'aos seus lugares', depois de todos na posição, ele fala 'prontos' e dá um tempinho para respirarmos e puxarmos o ar antes de disparar", explicou. Em São Tomé, o tiro da pistola veio imediatamente após o primeiro aviso. "Foi 'prontos' e pá! Eu estava ainda ajustando uma das mãos e não larguei".

A decepção durou pouco, mas retornou em seguida. A organização permitiu que ele participasse da segunda bateria e ele venceu a eliminatória e garantiu a vaga na final. Horas depois, minutos antes da corrida pelas medalhas, um dos países participantes entrou com recurso e, após discussões, mudou-se o entendimento e Igor viu-se novamente eliminado. "Sabe, não foi bom, mas pelo menos aprendi a ficar mais atento e ganhei uma experiência a mais", contou.

No dia seguinte, correu os 200m sem enfrentar o mesmo problema. Chegou com folga na primeira colocação de sua bateria. No entanto, o vento forte o atrapalhou na final e não conseguiu chegar na frente de um atleta de Cabo Verde. "Uma medalha de prata na primeira competição internacional é bom demais!", comemorou.

A maturidade e desenvoltura no jeito de falar e a maneira como explica sua realidade são equivalentes à velocidade que Igor alcança na pista. Ele conta que, na infância, não sonhava em ser velocista. A paixão era o futebol. Aos 13 anos, durante as aulas e partidas de futsal, o professor de educação física notou que o menino conseguia sair do ataque para a defesa em velocidade bastante superior à dos companheiros de time. "E, no contra-ataque, eu chegava lá na frente de novo para receber a bola antes dos meninos do time adversário conseguirem voltar", brinca.

Igor Clemente (D) durante as provas do atletismo nos Jogos da CPLP. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.brIgor Clemente (D) durante as provas do atletismo nos Jogos da CPLP. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

Daí em diante, a busca por chegar na frente passou a ser diária. "O professor me levou para correr na praia. Eu gostava, mas era um tipo de piso muito pesado. Até que um dia fui a uma pista de atletismo. Foi um dos maiores prazeres da minha vida", contou o estudante da Escola Estadual Anísio Teixeira, em Natal.

Igor enxerga longe e vê o esporte além de um projeto pessoal. "O sonho da minha vida é ajudar minha família a ter condições financeiras melhores. Quero fazer de tudo para ser um atleta de alto nível e conseguir melhorar a vida da minha mãe, que é faxineira".

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 tiveram impacto positivo na vida do garoto. "Quando assisti aos Jogos do Rio pela televisão, fiquei muito mais entusiasmado e empolgado para participar de uma Olimpíada. Ver o Usain Bolt fazer o que fez, e ainda por cima no meu país, foi incrível. Quero estar lá um dia".

Antes disso, porém, a realidade é de duas horas diárias de ônibus na ida e vinda de casa, no bairro Rocas, para os treinos na pista da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. "Ainda bem que tenho apoio de uma bolsa para treinar. Pago a condução e consigo guardar para passagens e competições".

» Confira galeria de fotos dos Jogos da CPLP

Ele diz que o esforço compensa, até mesmo em termos sociais. "Como estudo de manhã, tenho certeza que estou usando bem o meu tempo ao treinar à tarde. Eu moro em uma favela e correria o risco de entrar para alguma facção ou para um mundo mais violento. O esporte me ajuda nisso também".

Mesmo tão jovem, ele já serve de exemplo para outros meninos da vizinhança. "Alguns garotos de lá me falaram que me veem como inspiração. Eles falam: 'Poxa, nunca pensei que um adolescente da minha idade poderia viajar para a África e representar o país em uma competição'. E tenho orgulho disso".

Ao fim da conversa com a reportagem da rededoesporte.gov.br, Igor pediu para falar uma frase, que diz ser sua inspiração. "Deus me deu um dom de correr. E eu quero correr para uma vida melhor".

Vitória Jardim foi ouro nos 100m e 200m nos Jogos da CPLP. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.brVitória Jardim foi ouro nos 100m e 200m nos Jogos da CPLP. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

Mais medalhas

As outras duas integrantes da delegação do atletismo do Brasil nos Jogos da CPLP tiveram muito o que comemorar. Vitória Jardim, de 16 anos, levará duas medalhas de ouro na mochila. Ela venceu os 100m e os 200m. Larissa Lúcio, de 15 anos, foi bronze nos 800m.

"A seleção dos estudantes foi feita pelo ranking da idade deles na Confederação Brasileira de Atletismo", explicou a treinadora Ana Fidelis, responsável pelo trio. "Aqui em São Tomé não tivemos uma competição com nível muito alto, mas os meninos aprenderam muito. De início, a viagem foi longa. Quase 20 horas até chegar aqui e o fuso horário aumenta o cansaço. Tiveram que superar isso também", afirmou.

No passaporte, a catarinense de Nova Veneza Larissa já tem os carimbos de Marrocos, onde disputou a Gymnasiade, e da França, onde esteve no Mundial Escolar. Em São Tomé, obteve seu melhor tempo (2min17s90), mesmo depois de uma viagem longa e apenas um dia para descanso antes de competir.

A experiência com tantos estudantes de países que falam a mesma língua é inédita. "Aqui todos nós podemos conversar facilmente e está sendo interessante. É bom também fazer amizade com o pessoal das outras modalidades, tanto do Brasil quanto de outros países. No alojamento, sempre ficamos conversando e trocando experiências", contou Larissa.

Experiências que, para a paulista Vitória Jardim, vão além do cultural. Passam também, pela curiosidade em conhecer a gastronomia dos lugares por onde viaja. "Em competições, já estive no Paraguai, no Marrocos e no Equador. Como após minha vida de atleta eu quero seguir uma carreira na gastronomia, aproveito para conhecer novas culturas, maneiras diferentes de se conviver e respeitar os outros e, claro, fico de olho em quais ingredientes usam nas comidas dos locais e quais são os sabores. É uma experiência dupla".

Em São Tomé, a simpatia dos moradores é o que mais impressionou Vitória. "Todos são prestativos, sempre estão com um sorriso no rosto. Querem te ajudar em tudo e a gente percebe que é de coração, sem pedirem nada em troca", finalizou.

Jogos da CPLP

Os noves países lusófonos enviaram delegações sub-17 para a 11ª edição dos Jogos da CPLP. Além dos anfitriões de São Tomé e Príncipe, estudantes de Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste participam das competições. Em 2020, o evento será realizado em Díli, capital do Timor-Leste.

De São Tomé, em São Tomé e Príncipe, Abelardo Mendes Jr. - rededoesporte.gov.br

 
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