Ministério do Esporte Recém-anunciado como secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Rogério Sampaio fala sobre os novos desafios
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Recém-anunciado como secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Rogério Sampaio fala sobre os novos desafios

A convite do ministro Leonardo Picciani, Rogério Sampaio é o novo secretário de Esporte de Alto Rendimento da pasta e sucede Luiz Lima na função. Amparado pela experiência acumulada não apenas na Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), mas nos cargos públicos que ocupou antes de sua chegada ao Ministério do Esporte, Rogério Sampaio, 49 anos, encara com entusiasmo o desafio de comandar a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR).

De 2004 a 2012, Rogério foi presidente da Fundação Pró-Esporte de Santos, órgão ligado à Prefeitura responsável pelo gerenciamento do esporte de alto rendimento. Nesse período, organizou, em 2010, os Jogos Abertos do Interior de SP, maior evento esportivo do estado. Entre março de 2013 e abril de 2015, ocupou o cargo de coordenador de Gestão de Esporte de Alto Rendimento da Prefeitura de São Paulo.

Nesta entrevista, Rogério fala, entre outros assuntos, sobre sua passagem pela ABCD, analisa o momento da SNEAR em um período de limitação de recursos, opina sobre a importância dos Jogos Rio 2016 e o legado dos megaeventos e adianta o que espera dos próximos anos na preparação do Brasil para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2020.

Foto: Francisco Medeiros/MEFoto: Francisco Medeiros/ME

Como o senhor recebeu o convite do ministro Leonardo Picciani para assumir a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento?

Primeiro recebi com surpresa porque, junto ao convite, recebi a informação do pedido de demissão do secretário Luiz Lima. Mas fiquei feliz por ter sido convidado. Vejo o convite como um grande desafio e me sinto preparado para o momento. Tenho experiência na gestão pública e acredito que fiz um bom trabalho à frente da ABCD. Estou tranqüilo e estimulado.

Sua gestão na Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem foi marcada por muitos desafios. Como essa experiência o ajuda no momento de assumir a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento?

Esse período de um ano me deu a possibilidade de conhecer, de maneira mais profunda, o funcionamento do Ministério do Esporte. Mesmo já tendo experiência em gestão pública, conhecer as pessoas que trabalham hoje em cada área e em cada departamento do ministério me traz facilidade para atuar dentro da Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento, que tem uma estrutura muito maior que a ABCD. Nas duas secretarias, as responsabilidades são grandes, mas diferentes. A SNEAR me traz uma responsabilidade distinta porque, como ex-atleta, vou me cobrar demais.

Como secretário da ABCD, o senhor fechou diversos acordos de cooperação com 12 confederações para combater a dopagem. Essa relação construída facilita o trabalho na SNEAR? Como o senhor imagina que será a relação com os dirigentes?

Uma das funções da Secretaria de Alto Rendimento, assim como da ABCD, é ter um relacionamento produtivo com as confederações, com o COB (Comitê Olímpico do Brasil), com o CPB (Comitê Paralímpico do Brasil) e com o CBC (Comitê Brasileiro de Clubes). Temos que trabalhar em conjunto, pois ninguém constrói nada sozinho. As confederações conhecem profundamente suas modalidades. Então, ter essa relação de convergência é fundamental. O objetivo de todos é o fortalecimento do esporte de competição do Brasil, dentro das regras do jogo limpo e da boa gestão.

Diversas confederações sofrem com denúncias relativas à corrupção, desvio de verbas e outros problemas. A maioria delas recebe verbas públicas. Como o senhor vê essa questão, agora como secretário da SNEAR?

Essa é uma das preocupações do Ministério do Esporte e o próprio ministro Leonardo Picciani se manifestou sobre a necessidade de tornar mais profissional as gestões das confederações e federações. Já há, inclusive, portarias sendo estruturadas nesse sentido. Nós do ministério somos governo e como tal temos que cumprir a lei. É responsabilidade nossa ter rigor na prestação de contas dos recursos públicos e faremos sempre isso. Temos de trabalhar no sentido de melhorar a governança dentro das entidades esportivas e de acompanhar uma melhor gestão dos recursos públicos.

O último ciclo olímpico foi marcado por uma contínua aplicação de recursos visando à realização dos Jogos Rio 2016. Agora, o momento é outro. O país vive uma crise econômica e houve contingenciamento do Orçamento Federal. Como o senhor imagina que será o trabalho na Secretaria de Alto Rendimento nessas condições?

A gente tem hoje um recurso menor. Houve corte de orçamento, e o que a gente quer é investir bem. Isso é uma busca constante. Do mesmo jeito que o atleta tem que trabalhar para melhorar suas marcas, o gestor público tem que trabalhar para aprimorar o padrão e os objetivos que ele alcança no uso de recursos públicos. Nas condições atuais, vamos ter que buscar programas que consigam manter os resultados com menos recursos. É difícil trabalhar com pouco recurso, mas vamos enfrentar essa situação.

O senhor é um campeão olímpico. Poucos no país têm uma carreira tão vitoriosa como atleta. Até que ponto essa bagagem nos tatames o auxilia nas funções dentro do Ministério do Esporte?

Essa experiência me deu a condição de conseguir olhar para o esporte com bom senso e talvez com mais profundidade do que alguém que nunca tenha tido essa vivência no esporte. E digo isso como atleta e como técnico, pois acho que tive êxito também como treinador, já que pelas minhas mãos passaram atletas como o Leandro Guilheiro (bronze nas Olimpíadas de Atenas-2004 e de Pequim-2008), que treinou comigo por mais de dez anos. Essa experiência tem me ajudado em todos os cargos que ocupei na gestão pública. Sempre escutei todas as partes no processo de desenvolvimento, os atletas, os técnicos e os dirigentes, unindo as pessoas na busca dos objetivos. Os valores que aprendi no esporte seguem norteando minha vida profissional. Ao mesmo tempo, assumir a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento como ex-atleta é algo que me traz uma responsabilidade grande. A gente sempre escuta no país que os atletas têm de começar a assumir os cargos no esporte e comungo dessa ideia. Acho que é bom os atletas, após o fim de suas carreiras, passarem a ocupar cargos. Fico extremamente feliz quando vejo no Tribunal de Justiça Antidopagem a Luisa Parente (ex-ginasta) e o Marcel (ex-jogador de basquete) ou quando vejo a Leila (ex-jogadora de vôlei) como secretária de Esporte do Distrito Federal. Vejo a maioria desses ex-atletas ocupando cargos com êxito, fazendo a diferença na gestão pública do esporte.

Recentemente, Zico foi eleito presidente da Comissão Nacional de Atletas (CNA), órgão ligado ao Conselho Nacional do Esporte (CNE). Ele e outros expoentes do esporte brasileiro integrantes do CNA já adiantaram que a prioridade para os próximos dois anos será trabalhar a construção de um projeto que possa unir de forma bem-sucedida esporte e educação. Qual a opinião do senhor sobre essa proposta da CNA? Esse é o caminho?

Esse é um dos caminhos para o desenvolvimento do esporte brasileiro, mas não podemos ter um caminho só. O esporte dentro da educação é um pilar extremamente importante para o desenvolvimento de valores, principalmente para a vida das pessoas. Eu não tenho dúvida de que o Ministério da Educação enxerga da mesma maneira. Temos que construir um projeto sólido para que isso aconteça. Dentro do Ministério do Esporte, a Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social trabalha sob essa perspectiva. Serei um parceiro na busca do desenvolvimento do esporte educacional, pois também enxergo a importância de fortalecer a atividade esportiva na idade escolar. Mais do que revelar talentos para o alto rendimento, é um investimento na saúde, no bem-estar, na cidadania do brasileiro.

Qual a sua avaliação sobre os Jogos Rio 2016? O que fica de legado para o país e para o esporte brasileiro após as Olimpíadas e Paralimpíadas?

Foi muito importante realizar os Jogos Olímpicos, os Jogos Paralímpicos, a Copa do Mundo e outros grandes eventos que o Brasil sediou, como os Jogos Mundiais Militares (disputados em 2011, no Rio de Janeiro). Eles foram extremamente importantes no processo de desenvolvimento do esporte brasileiro. Como legado ficou o desenvolvimento de leis que hoje facilitam o crescimento do esporte, principalmente o esporte de competição. Temos hoje uma geração de profissionais mais bem formados, tanto na questão da competição quanto na organização de grandes eventos. Temos uma estrutura de treinamento que jamais se imaginava ser possível no país e que está sendo consolidada pelo Ministério do Esporte na Rede Nacional de Treinamento. Tenho a visão de que o Brasil precisa continuar participando do processo de realização de grandes eventos. Lógico que a gente passa hoje por uma dificuldade financeira que talvez nos impeça de organizar alguns eventos, mas o Brasil não pode deixar de participar dessa concorrência. Países como Japão, Estados Unidos, França, Alemanha, Rússia e Inglaterra, por exemplo, estão disputando a todo momento a organização de grandes eventos. A gente precisa mostrar que esses megaeventos deixam um legado importante. A construção do legado olímpico é perene e não se restringe a obras. É de pessoas, de estrutura para treinamento, de legislação. Nós não tínhamos uma série de regras e de leis dentro do esporte brasileiro. Elas foram criadas a partir da realização dos Jogos Pan-Americanos, em 2007.

Estamos no primeiro ano do ciclo olímpico e paralímpico visando aos Jogos de Tóquio. Como o senhor imagina o trabalho a ser desenvolvido até 2020?

Lembro que, quando fui disputar os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), começou o processo de algumas estatais brasileiras apoiarem determinadas modalidades, como a Caixa Econômica, o Banco do Brasil, os Correios. Naquela Olimpíada, o Brasil teve três medalhas somente. A minha de ouro, a do vôlei (ouro com a seleção masculina) e a de prata do Gustavo Borges (na natação). É um número muito menor do que as 19 (sete de ouro, seis de prata e seis de bronze) que a gente conquistou no Rio. Depois de Barcelona, o Brasil ganhou 15 medalhas (três de ouro, três de prata e nove de bronze) em Atlanta 1996. O que aconteceu? Eu respondo. O investimento feito para Barcelona teve resultado a médio e longo prazo. Ele só aconteceu em Atlanta, quatro anos depois. Em 2009, o Brasil conquistou o direito de sediar os Jogos de 2016. Havia estatais que já apoiavam o esporte brasileiro, algumas empresas privadas vieram para apoiar o esporte nacional e, nesse processo, o investimento público também aumentou. Talvez o resultado de todo esse investimento não tenha vindo nos Jogos do Rio. Ele pode ocorrer, de novo, a médio e longo prazo. Eu acredito que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo país, o que fez os recursos diminuírem, o resultado de todo o trabalho feito para o Rio de Janeiro, de todo o investimento, deve vir nos Jogos de Tóquio 2020. Então me sinto animado, estimulado e sei que as confederações e os atletas também vão se desdobrar. Não vamos medir esforços para que o Brasil novamente tenha um bom resultado em 2020.

Luiz Roberto Magalhães – Ministério do Esporte

 

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