Ministério do Esporte “À moda do irmão”, Silvânia Costa é ouro no salto em distância
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“À moda do irmão”, Silvânia Costa é ouro no salto em distância

Parecia a repetição de um filme: o Engenhão gritando “Brasil, Brasil”, a energia crescendo, a pressão imensa no último salto. Silvânia Costa venceu a disputa do salto em distância da classe F11 (cegos totais), nesta sexta-feira (16.09), da mesma forma que o irmão mais velho, Ricardo Oliveira, também deficiente visual, há oito dias.
 
Silvânia Costa: ouro conquistado no último salto em roteiro que seguiu o mesmo drama do irmão Ricardo. (Foto: Danilo Borges/brasil2016.gov.br)Silvânia Costa: ouro conquistado no último salto em roteiro que seguiu o mesmo drama do irmão Ricardo. (Foto: Danilo Borges/brasil2016.gov.br)
 
Ambos lideravam a prova com a marca do segundo salto – no caso de Silvânia, 4.78m. Também seguindo o mesmo roteiro, um adversário entrou no caminho: Fatimata Diasso, da Costa do Marfim, atingiu 4.89m  no quarto salto e colocou fogo na disputa. Silvânia queimou o quinto e arriscaria tudo na sexta rodada. Lembrou-se que é a atual campeã mundial e recordista com uma marca muito superior (5.46m), concentrou-se e atingiu 4.98m, o suficiente para o ouro e, literalmente, sair para o abraço. O bronze ficou com outra brasileira, Lorena Spoladore (4.71m). Thalita Simplício, a terceira anfitriã na disputa, ficou em quinto (4.54m).
 
“Acho que quem infartou nesta hora foi minha mãe. Agradeço a todos os brasileiros torcendo, mandando energia positiva, e esse resultado é como se fosse um bolo, cada um deu o seu ingrediente e agora a gente comemora a festa”, disse a campeã.
Ela lembrou que, em quatro anos competindo, nunca saiu de uma disputa sem medalha de ouro. Os resultados mais recentes – como a vitória no Mundial de Doha 2015 e o recorde mundial alcançado em julho, em São Paulo – a deixaram tranquila por um bom tempo, mas a ansiedade apareceu na véspera.
 
“Essa tranquilidade me preocupava, porque eu nunca entrei numa prova sem frio na barriga, mas três dias antes da competição fiquei muito nervosa. Entrei na prova nervosa, tanto que não saíram as minhas melhores marcas, e eu me cobro muito. Foi nervoso e o último salto foi impressionante”, contou.
 
O início pela filha
 
Silvânia contou que começou no atletismo em 1998, sem treinamento, aproveitando uma oportunidade para poder comprar alimentos para a filha, Letícia Gabriela, hoje com 10 anos. “Na minha família não tinha atletas. Quando me convidaram para uma corrida de 10 quilômetros, eu entrei pela premiação, que era de R$ 300. Na época eu precisava pagar o leiteiro. Eu não tinha preparo físico, ganhei por conta dela”, contou.
 
A corrida, a decolagem e a aterrissagem do salto que deu o ouro à Silvânia Costa. (Foto: Danilo Borges/brasil2016.gov.br)A corrida, a decolagem e a aterrissagem do salto que deu o ouro à Silvânia Costa. (Foto: Danilo Borges/brasil2016.gov.br)
 
A corrida deixou Silvânia doente, mas quando a situação apertou novamente, ela voltou às pistas. “Fiquei uma semana com febre, não tinha musculatura preparada para aquele exercício, e falei para o meu amigo para não me convidar mais, porque eu não tinha estrutura. No mês seguinte, vieram as contas, eu liguei para ele e perguntei onde tinha outras corridas”, lembrou.
A situação hoje é outra. Silvânia consegue se dedicar exclusivamente ao esporte. “Graças a Deus, eu recebi a oportunidade do Time São Paulo e do Ministério do Esporte, meus únicos patrocinadores, que acreditaram em mim. Durante esses quatro anos, todos os resultados que tenho são através das oportunidades que eles me ofereceram”, afirmou.
 
E a medalha desta sexta não poderia ser dedicada a outra pessoa.  “Esta medalha vai primeiramente para a minha filha, para a minha família e todos que estiveram do meu lado. Ela é campeã escolar do salto em distância, e não pôde vir. Mas tenho certeza de que estava na torcida. A família Oliveira vem vindo aí!”, afirmou.
 
Do nervosismo à vibração: Ricardo acompanha a prova
 
Ricardo Oliveira acompanhou a prova com parte da delegação brasileira na arquibancada do Engenhão. Foi ele quem convidou Silvânia a treinar salto em distância e é o grande incentivador. Com seu ouro já bem guardado, Ricardo assumiu a postura de torcedor. O nervosismo foi nítido ao longo da prova. Ele só relaxou quando a irmã mais nova conquistou o ouro, e foi o primeiro a comentar as semelhanças entre as duas vitórias.
 
“Eu estava aqui em tempo de ir lá saltar para ela. Eu sabia que ela ia conseguir, mas ela me deixou muito inseguro durante a prova. No finalzinho eu acreditei. Pensei: 'ela veio para saltar e ela vai saltar'. Acho que emprestei minha lança de morte para ela. No meu último salto, eu falei: 'vou entrar com um tiro certeiro. Ou eu ganho, ou eu ganho'. E ela fez a mesma coisa”, contou.
Mais um capítulo em comum na vida de Ricardo e Silvânia. “A gente teve uma criação muito difícil, a gente tinha que superar muitas adversidades, dificuldades. Temos um biotipo já de criação, e isso ajuda a gente no atletismo. O Ricardo passou pela mesma situação que eu e na hora eu pensei: 'ou tudo ou nada'. Naquele momento, a gente não tem limite. O impossível não existe quando você quer. A gente consegue provar isso no dia a dia nas pistas e fora delas”, afirmou Silvânia.
 
Brasileiros
 
Na final dos 400m masculino T37 (paralisados cerebrais), Paulo Flaviano cruzou a linha de chegada em quinto, com 54s67. A prova foi vencida pelo sul-africano Charl du Toit, que com a marca de 51s13 estabeleceu um novo recorde paralímpico.
O jovem paraibano Petrucio Ferreira, de 19 anos, também correu os 400m, mas na classificatória da classe T47 (amputados). Com uma bela arrancada nos metros finais, ele venceu sua bateria com 49s96, sua melhor marca da carreira na prova. Petrucio tenta chegar ao terceiro pódio no Engenhão, já que foi ouro nos 100m T47 e prata no revezamento 4 x 100m T42-47. Ele corre a final dos 400m neste sábado (17.09), às 18h05.
 
Lorena Spoladore: bronze que engradeceu ainda mais a festa brasileira no salto em distância.(Foto: Danilo Borges/brasil2016.gov.br)Lorena Spoladore: bronze que engradeceu ainda mais a festa brasileira no salto em distância.(Foto: Danilo Borges/brasil2016.gov.br)
 
No arremesso de peso F55 (competidores em cadeiras), Wallace Santos ficou em 10º, e Ricardo Nunes decidiu não competir devido a uma lesão muscular. O Brasil ainda disputa, nesta sexta, quatro provas na sessão noturna, das quais uma é final, os 400m feminino T11, que terá Terezinha Guilhermina e Thalita Simplício.
 
O atletismo é a modalidade que mais medalhas deu ao Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio. Encerradas as provas desta manhã, os atletas do país já conquistaram 28 pódios para o Brasil. Foram 9 ouros, 11 pratas e 9 bronzes e a campanha já é a melhor da história do atletismo nacional em Paralimpíadas.
 
Resultados e provas programadas:
Manhã
» Final – Arremesso de peso masculino F55 – Wallace Santos – 10º 
» Final – Arremesso de peso masculino F55 – Ricardo Nunes – não competiu devido a lesão
» Final – 400m masculino T37 – Paulo Flaviano – 5º
» Classificatórias – 400m masculino T47 – Petrúcio Ferreira – classificado para a final
» 11h05 – Final – Salto em distância feminino T11 – Silvania Costa – ouro
» 11h05 – Final – Salto em distância feminino T11 – Lorena Spoladore – bronze 
» 11h05 – Final – Salto em distância feminino T11 – Thalita Simplício – 5º
 
Tarde/Noite
» 17h36 – Classificatórias – 400m masculino T11 – Daniel Mendes
» 17h42 – Classificatórias – 400m masculino T11 – Felipe Gomes
» 18h39 – Classificatórias – 200m masculino T12 – Diogo Ualisson
» 17h54 – Final – 400m feminino T11 – Terezinha Guilhermina
» 17h54 – Final – 400m feminino T11 – Thalita Simplício
 
Luiz Roberto Magalhães e Carol Delmazo – brasil2016.gov.br
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