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Do seringal para o pódio: Edson Pinheiro conquista a medalha que faltava na carreira

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Na madrugada de ontem, sem conseguir pegar no sono, o velocista Edson Pinheiro, - classe T38, para atletas com paralisia cerebral – pensava no único pódio que ainda não havia conquistado na carreira. “Fui dormir três horas da manhã pensando. Eu falei: ‘Será o meu dia’. Já tinha sido vice-campeão mundial, várias vezes campeão parapan-americano e essa medalha paralímpica estava faltando. Só pensava no pódio dentro de casa”, conta. Não deu outra.
 
Nesta terça-feira (13.09), o atleta contou com o apoio da torcida no Estádio Olímpico Engenhão, para cruzar a linha de chegada na terceira posição na prova dos 100m rasos. “É maravilhoso poder ganhar essa medalha dentro de casa, com essa torcida empolgante, empurrando a gente. É um momento único, minha primeira medalha em Paralimpíada”, celebra.
 
Atleta mais velho da final, com 37 anos, Edson afirma que a conquista fez com que repensasse a data de aposentadoria. “Agora é esquecer o final da carreira. Se está bom, vamos ficar. A idade vai chegando e o atleta começa a sentir mais dores, fica mais cansado, já não consegue recuperar, mas consegui ter uma estrutura legal que me permitiu prolongar isso. Vou ficar correndo, enquanto não aparecer alguém para ganhar, enquanto ainda estiver entre os três melhores do mundo, vou ficando”, diverte-se.
 
Em um final eletrizante, o brasileiro teve a medalha de bronze confirmada apenas após validação via photofinish, à frente do sul-africano Dyan Neille Buis, por milésimos. Para Edson, a espera até a confirmação do resultado pareceu uma eternidade. “Aqueles dez segundos pareceram durar umas cinco horas. Foi muito tenso aquele momento. Saíram o primeiro, o segundo e não saía o resultado do terceiro lugar. Fiquei na expectativa. No final, eu perdi um pouquinho a aceleração e o sul-africano chegou, mas eu me joguei, cruzei e quando saiu o meu nome saltei mais de meio metro de alegria”, comemora.
 
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Classificado com o quarto melhor tempo na semifinal, o atleta já esperava uma disputa acirrada pelo pódio. “É uma prova forte, a gente sabia que quem largasse melhor ia ter grandes chances. Eu consegui fazer uma boa largada e isso me favoreceu para ficar entre os três. Estava bem treinado, mas 100m é um tiro”.
 
O forte calor do Rio de Janeiro, que para alguns competidores pode ser uma desvantagem, não incomodou o brasileiro. “O australiano e o sul-africano estavam sofrendo um pouco, com toalha de gelo nas costas, mas para mim é tranquilo. Estou acostumado com esse calor do Brasil. Acho que eles sentiram também um pouco a torcida, gritando o meu nome. Isso deu uma pesada na hora da corrida para eles”, afirma. O vencedor da prova foi o chinês Jianwen Hu, que bateu o recorde mundial com 10s74, seguido do australiano Evan O’Hanlon.
 
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Nascido em um seringal em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, com a ajuda de uma parteira, Edson teve paralisia cerebral por falta de oxigênio no momento do nascimento, complicação que fez com que tivesse os movimentos do lado direito do corpo prejudicados. Para o atleta, suas origens são parte fundamental das vitórias que segue acumulando.
 
“Eu vim de uma cidade do interior do Acre, bem distante, um lugar em que a gente não tem muitas expectativas. Eu fazia trabalho braçal desde os dez anos, para ajudar a família. Já capinei quintal, trabalhei na roça, quebrei tijolo. Não me arrependo de nada, foi muito gratificante poder chegar até aqui. Fui crescendo, mudei para Rondônia, lá comecei a praticar o tênis de mesa, depois mudei para o atletismo. Eu não consigo pensar o que eu faria se não fosse o atletismo hoje”, lembra.
 
“Meu pai trabalhava desde cedo no seringal, minha mãe trabalhava em casa. A gente nasceu em um lugar muito difícil para a criação, mas meus pais souberam me educar, me dar uma boa índole e ensinar a respeitar o próximo. Isso contou para cada passo da minha vida e, se eu estou aqui hoje, é mérito deles também”, acrescenta.
 
Ainda que carreiras esportivas sejam fundamentalmente marcadas por dedicação e renúncia, Edson lamenta não poder estar mais próximo dos familiares, ainda que a distância resulte em tantas conquistas. “A maior dificuldade é ficar longe da família. Eu tenho dois filhos, o menor nasceu em um dia e eu viajei logo no outro, então fiquei 15 dias longe dele. Para mim, é um dos maiores obstáculos, mas o atletismo representa minha vida. Hoje vivo atletismo, durmo atletismo, acordo atletismo, meus amigos são do atletismo, meus filhos nasceram do atletismo”, diz.
 
Patrocinado com a Bolsa Pódio, do Ministério do Esporte, o acreano não espera ter muito tempo para comemorar. “Eu tenho um técnico bem rigoroso com o sistema de treino. Acho que ele pensa que a gente só tem que descansar depois de aposentar. Mas acredito que vai dar para curtir um pouco, porque é um momento único, uma medalha em Paralimpíada é um trabalho que deu certo, foi vitorioso. Então acho que até ele vai curtir um pouco essa medalha”, brinca.
 
Pedro Ramos - brasil2016.gov.br
Ascom - Ministério do Esporte 
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