Ministério do Esporte Duplas brasileiras chegam às finais na bocha nas classes BC4 e BC3
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Duplas brasileiras chegam às finais na bocha nas classes BC4 e BC3

Mais uma vez o Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro, contou com a intensa presença de torcedores no domingo para participar dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. A fatia do bolo de espectadores que optou por acompanhar a bocha, esporte ainda pouco divulgado no Brasil, não se decepcionou. Dirceu Pinto e Eliseu dos Santos (Marcelo, irmão de Eliseu, é o reserva) fizeram uma bela partida pela classe BC4 contra a Grã-Bretanha, vencendo por 4 x 2, e se classificaram para a disputa do ouro contra a Eslováquia, nesta segunda-feira (12.09), a partir das 14h, na Arena Carioca 2.
 
Dirceu e Eliseu em ação: dupla busca mais um ouro paralímpico. (Foto:Francisco Medeiros/brasil2016.gov.br)Dirceu e Eliseu em ação: dupla busca mais um ouro paralímpico. (Foto:Francisco Medeiros/brasil2016.gov.br)
 
Alegria do público, que torceu do início ao fim, e orgulho dos atletas. "Quero agradecer toda a torcida que deu um show com a gente agora nessa semifinal e dizer que contamos com a mesma energia na final de amanhã", disse o bicampeão paralímpico Dirceu Pinto, logo que deixou a quadra ainda sob aplausos.
 
Dirceu é natural de Francisco Morato, região metropolitana de São Paulo. Acometido por distrofia muscular de cinturas, uma doença degenerativa muscular e progressiva, o atleta começou a jogar bocha em 2002, quando descobriu a extensão do problema de saúde e iniciou o processo de adaptação à vida de cadeirante. "Dos 19 aos 22 eu passei dentro de casa. Já estava em depressão e não queria sair por causa da minha doença. Eu não fazia mais nada. Quando conheci a bocha, minha vida foi transformada", relata o cadeirante.
 
"Eu sempre tive o sonho de representar o Brasil em uma Olimpíada. Fiz natação dos 14 aos 19 anos, naquela época do Xuxa e do Gustavo Borges, mas não foi possível conquistar nada porque meu corpo foi ficando fraco, eu não tinha forças por causa da doença. Foi através da bocha adaptada que pude realizar esse sonho", completa. Amanhã ele vai brigar pelo quinto ouro em Jogos Paralímpicos (foi campeão individual e por equipes em Pequim 2008 e Londres 2012).
 
Velho parceiro de Dirceu Pinto, Eliseu dos Santos conquistou os dois ouros paralímpicos em duplas. Além disso, tem outras duas medalhas de bronze na categoria individual nas mesmas edições (Pequim 2008 e Londres 2012) e outras tantas vitórias na bagagem.
 
Eliseu dos Santos conquistou os dois ouros paralímpicos em duplas. (Foto:Francisco Medeiros/Brasil2016.gov.br)Eliseu dos Santos conquistou os dois ouros paralímpicos em duplas. (Foto:Francisco Medeiros/Brasil2016.gov.br)
 
Mas uma das maiores alegrias de Eliseu agora é poder contar com a companhia do irmão, Marcelo, nessa busca pelo ouro no Rio 2016. "Agora ele está aqui para nos ajudar a levar essa medalha e para isso fizemos uma excelente preparação". O irmão estreante está otimista: "Nós sabemos que todos os times vieram para vencer, mas estamos confiantes no nosso potencial e queremos demais isso", diz Marcelo dos Santos.
 
Sobre a seleção oponente da final, Eliseu afirma que vai ser um jogo difícil, mas tem fé de que o lugar mais alto do pódio será dos donos da casa. "A gente se preparou bem para vencer qualquer que fosse o adversário. Estamos cientes disso. A Eslováquia joga bem, mas amanhã nós vamos fazer nosso melhor jogo e vamos arrebentar, se Deus quiser".
 
Ídolo do oponente
 
De acordo com o atleta mais experiente da seleção de bocha, a missão não acabou. "Nós ainda não chegamos onde queremos, a meta é subir no lugar mais alto do pódio e cantar o hino nacional para emocionar todos os brasileiros e levar a bandeira da bocha a todas as pessoas que acham que não podem praticar esporte por ter algum tipo de deficiência. Todos podem praticar a bocha", afirmou Dirceu.
 
O discurso de Dirceu, a história de luta e a larga bagagem fizeram com que ele se tornasse referência até mesmo para os adversários. O jogador eslovaco Samuel Andrejcik, que vai enfrentar a seleção brasileira na decisão, tem o multimedalhista como ídolo. "O Samuel é um atleta especial. Ele é um dos nossos melhores amigos, junto com o Stephen Mcguire da Inglaterra, que fez essa semifinal com a gente. Nós já fizemos intercâmbios e o Samuel sempre vem nos cumprimentar, mesmo a gente não entendendo quase nada, mas sempre conseguimos nos comunicar de alguma maneira", ri Dirceu.
 
Classe BC3 também está na final em duplas
 
A outra final brasileira por duplas será disputada pela classe BC3 com Antonio Leme e Evelyn de Oliveira (Evani da Silva é a reserva da dupla). Eles conquistaram a vaga ao bater a seleção de Singapura por 6 x 2 e enfrentarão a Coreia do Sul na final, às 17h30 desta segunda-feira (12.09), na Arena Carioca 2 do Parque Olímpico.
 
Ao final do jogo, o calheiro Fernando Leme, que auxilia o irmão Antonio, falou emocionado: "É a nossa primeira Paralimpíada, ainda não consigo descrever. Quando vi que já estávamos no pódio, mesmo antes de disputar a final, não consegui me conter e já fui às lágrimas".
 
Valéria Barbarotto - brasil2016.gov.br
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